O PROBLEMA DA PESQUISA UNIVERSITARIA
Podemos começar reconhecendo (ou, ao menos, supondo) que em nossas universidades há abundante pesquisa e que grande parte dela é de excelente qualidade.
Não está em discussão nem a quantidade nem a qualidade da PESQUISA UNIVERSITÁRIA, em geral (ou, ao menos, não está neste tema). O problema radica em outra coisa.
A partir da experiência da Equipe de Monografias Sahara
Monografia AC – Pesquisa em monografias prontas
AD Monografias – Auxílio didático em pesquisa por monografia
Alpha Monografias – Academia de modelos de monografia para TCC
Quando pela primeira vez, há quase dez anos, nossa equipe se preocupou pelo tema dos processos de pesquisa, foi porque nos chamaram a atenção certos fatos, como, por exemplo, a falta de consenso a respeito de que coisas devíamos considerar pesquisa e que coisas não; os desacordos ao redor das vias mais eficientes para pesquisar; a falta de uma mínima linguagem comum para referir-nos aos aspectos e componentes da pesquisa, etc.
Já para esse tempo estavam sobre o centro de mesa as polêmicas a respeito dos “paradigmas”, com a agravante de que para então nossas pós-graduações careciam de seminários de Epistemologia, e de algum modo o assunto epistemológico escondia o problema que recentemente nos ocupa e que constitui o tema deste artigo.
Os fatos que estavam mais à vista eram as frustrações e conflitos nas defesas de teses e nas avaliações dos projetos de pesquisa, de maneira que esses fatos, tão impactantes no plano cotidiano, mais nossa eterna ignorância, fizeram-nos cometer o erro de crer que o problema da PESQUISA UNIVERSITÁRIA era somente de tipo metodológico e epistemológico.
Agora estamos cada vez mais conscientes de que o assunto metodológico e epistemológico é menor em comparação com o assunto organizacional
.Este problema se manifesta na desarticulação da PESQUISA UNIVERSITÁRIA em diferentes sentidos e a vários níveis. De outro modo, o mesmo problema pode sintetizar-se dizendo que A PESQUISA UNIVERSITÁRIA É UM FATO TOTALMENTE INDIVIDUALIZADO.
Os dados essenciais que levam a descrever a PESQUISA UNIVERSITÁRIA como um fato individual são os seguintes: o pesquisador seleciona seu tema particular, formula seu próprio problema de estudo, elabora seu plano de trabalho, canaliza-o através de certos mecanismos administrativos, executa-o e, finalmente, consigna os resultados em um paper publicável.
Podemos dizer que a máxima aspiração de um pesquisador ou o destino final de um trabalho de pesquisa está na publicação do artigo numa revista indexada. Nada mais.
Segundo isto, as investigações somente servem para acumular méritos acadêmicos individuais a favor de quem as realiza. Esta característica fica parcialmente evidenciada nos famosos estímulos e prêmios acadêmicos que sempre foram individualistas.
Efetivamente, até onde sabemos, não existem prêmios para grupos de pesquisadores, senão somente para as pessoas, com o qual se aprofunda o sentido de concorrência isolante e desvinculante.
Mas tanto o conjunto de pesquisadores e de acadêmicos, bem como a instituição universitária e o meio social carecem da menor idéia a respeito das investigações que estão sendo levadas a cabo.
Aparentemente, somente o pesquisador sabe que está pesquisando e como o está fazendo (inclusive, para aspirar a um desses prêmios à pesquisa, é o próprio acadêmico quem deve demonstrar seus trabalhos mediante constâncias e papéis, o qual poderia entender-se como que a universidade não sabe o que cada indivíduo fez).
É óbvia a desarticulação da PESQUISA UNIVERSITÁRIA a esses três níveis: desarticulada com respeito a outras investigações possivelmente contíguas, desarticulada com respeito à própria universidade e desarticulada com respeito às áreas de demanda social de conhecimentos e tecnologias.
Examinemos mais de perto esses três níveis de desconexão.
Desarticulação com respeito a outras investigações
Tal como mostram alguns estudos empíricos realizados dentro de nossa Linha (por exemplo, Sayago, 1994 e Ojeda de López, 1998), cada vez que nos achamos frente a um inventário das pesquisas produzidas numa universidade durante um verdadeiro lapso de tempo, resulta praticamente impossível definir algum parentesco programático entre dois ou mais dos trabalhos de pesquisa ali resenhados. É como se cada trabalho constituísse um mundo aparte, totalmente independente dos demais trabalhos de pesquisa. Inclusive dentro de uma mesma área disciplinar, por muito especializada que ela seja (zootecnia, por exemplo, ou currículo), quase nunca se pode deduzir uma sintonia de esforços parciais ao redor de algum programa coletivo.
Claro, os parentescos e as sintonias podem detectar-se em relação com programas de pesquisa localizados em algum setor da comunidade acadêmica mundial (as vezes bastante afastada), mas não no seio da missão institucional nem da filosofia organizacional da própria universidade.
Por exemplo, algumas investigações têm estado dirigidas ou inspiradas por algum acadêmico ou grupo de prestígio localizado numa universidade do exterior (sempre, obviamente, dos EUA ou Europa, o qual se pretende que constitua um valor agregado ao mérito acadêmico da própria pesquisa), com o qual ficaria definida a adscrição dessa pesquisa a uma agenda coletiva.
Mas, aparte o fato de que o trabalho não se vincula aos demais trabalhos locais, pode ocorrer que seu aporte concreto à agenda mundial tenha um caráter meramente servil, subordinado, acrítico e, as vezes, insignificante (“investigações meia-boca”, como disse alguém nas discussões de nossa equipe, segundo as quais uma tese doutoral, por exemplo, pode converter-se mal numa simples tarefa de revisão, de comprovação secundária ou de enésima réplica, sem a transcendência que costuma esperar-se dos trabalhos doutorais).
Recentemente se falou bastante a respeito de Linhas de Pesquisa e de Agendas de trabalho, mas em realidade tais conceitos costumam entender-se como agrupamentos temáticos, mas não programáticos. Tal como pode ver-se em muitos documentos institucionais, a formulação de linhas e de agendas de pesquisa não passa de ser um inventário por temas, muitas vezes em correspondência com as tradicionais áreas curriculares da docência: gerência, sociologia, educação, etc.
Nenhum comentário ainda.



