EDUCAÇÃO E MONOGRAFIA

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HISTORIA DO HIPERTEXTO – da Biblia aos dias atuais

De alguma maneira todo texto é um hipertexto rudimentar. Conquanto o texto impresso se caracterize por uma série de atributos tais como a linearidade, a centralidade, a finalidade ou a primazia do autor, que remetem obviamente a uma cultura hierárquica e estratificada segundo determinados lugares e práticas de poder, contém por sua vez implicitamente opções sobre pertinência, relevância, seleção, significação, etc., que o leitor modifica e enriquece quando agrega notas à margem, sublinha, relê ou quando se detém para ler algo vinculado em outro texto ao qual se faz referência.

Artigo realizado pelo time de elaboração de monografias – Monografia Alpha

Este modo de ler, este processo, faz com que se modifique o texto ativamente pelo leitor, já que este não se limita a percorrer o texto de forma linear e constante até terminá-lo, senão que se apropria dele e contribui de tal modo que dota ao texto de características hipertextuais.

Os jornais e revistas, por exemplo, se encontram compostos por unidades de informação ou lexias nos quais é possível realizar uma leitura mediante “saltos” ou seguindo vínculos que interessem ao leitor, isto é, não exigem uma leitura linear como em um livro. No entanto, este não é um mar de rosas, já que existem diversos problemas quanto ao uso dos hipertextos nos meios midiáticos, segue um excelente post.

Por outra parte há livros de textos nos quais estas possibilidades são explícitas, isto é que convidam ativamente a ler o material de múltiplas maneiras e com uma grande diversidade de opções interconectadas.

Como por ocorre por exemplo com a novela de Julio Cortázar, um autor mexicano, em seu livro Rayuela, neste caso, a novela oferece capítulos cujos títulos são números, e a leitura da novela se pode iniciar e terminar em qualquer dos capítulos; é possível também fazer uma leitura tradicional, isto é de capítulos consecutivos ou ainda, o mesmo autor oferece diferentes possibilidades de leitura recomendando ao final de alguns capítulos a ordem de leitura seguinte.

Outro exemplo é A Bíblia cujas características de organização, estrutura e a forma em que se dividem os parágrafos se aproxima ao conceito de lexias, que a este momento poderíamos defini-las como unidades mínimas de informação, e os parágrafos ou lexias são por sua vez organizados em capítulos, de maneira progressiva e geral, e os capítulos são ordenados em livros, de maneira tal que é possível acessar uma informação específica de maneira direta.

Um aspecto a destacar nos exemplos literários anteriores é que, ambos rompem com a linearidade do livro e com a idéia do princípio e o final da narrativa, as histórias começam no momento que dá inicio a leitura, e terminam no momento que o leitor abandona a leitura.

Adicionalmente, cada leitor construirá de acordo com seu interesse um trajeto particular, diferente ao dos outros, pelo que de maneira estrita não haveria leitor que leia a mesma novela pois os capítulos lidos serão diferentes; a ordem dos mesmos e portanto, também o relato, seriam diferentes.

Em uma monografia, a partir de sua definição própria, o hipertexto é realizado muitas vezes, através das referências bibliográficas existentes e das possibilidades de retorno e citações.

É então que nos encontramos com um hipertexto, o que remete incessantemente de uma instância textual a outra sem que isso implique, em princípio, em circunscrever seus limites.

Pode-se dizer então que o hipertexto não é novo, o que é novo é a maneira em que hoje entendemos esse dual processo de composição-leitura que “completa” uma obra quando o leitor lê um texto escrito pelo autor.

A atual maneira de, entre outras coisas, entender a esta relação dual, é o que se denomina hipertexto, não a relação em si.

A produção de textos tradicionais tende a ser mais excludente que inclusiva, já que o autor é muito cuidadoso no momento de selecionar as idéias de um texto e suas possíveis relações intrínsecas, enquanto nos hipertextos estas restrições desaparecem, pois “tudo” em algum sentido, pode pôr-se ao alcance do leitor favorecendo a democratização do discurso.

Isto resulta na possibilidade de que o leitor poderá encontrar-se com uma virtualmente infinita quantidade de informação.

Este foi o problema que inquietou a Vannevar Bush quem se preocupou em 1945 em criar um sistema que permitisse um maior e melhor acesso à informação.

Em um artigo que publica no Atlantic Monthly faz referência à impossibilidade de manejar a crescente abundância de informação, situação que levava a que aquelas pessoas que deviam utilizá-la para seus estudos se vissem bloqueadas em suas possibilidades devido à falta de elementos conformes para seu processamento.

Para Bush o problema central passa então pela inadequada forma de armazenar e classificar a informação de maneira tal que seu processamento resulte mais efetivo; para isso inventará o Memex, o qual consiste num dispositivo no que uma pessoa guarda seus livros, arquivos e comunicações, dotado de mecanismos que permitem a consulta com grande rapidez e flexibilidade.

É um acessório íntimo e ampliado de sua memória. Este sistema consistia em mecanismos que permitiam uma rápida busca de arquivos microfilmados e que podiam ser observados através de uma tela transparente; sua particularidade radicava em que não só permitia tal busca senão que também incluía a possibilidade de agregar notas, comentários, etc.

Mediante este inicial antecedente do hipertexto se começava a abrir a possibilidade de uma relação associativa entre artigos com o que se conformava um percurso não linear nem único, senão que dependia dos interesses do proto-navegante, conformando trajetos mais conformes com o funcionamento associativo da mente humana, já que:

“…a mente salta instantaneamente ao dado seguinte, que lhe é sugerido por associação de idéias, seguindo alguma intrincada trama de caminhos conformada pelas células do cérebro” (Bush, 1946)

Também sustenta:

“…a estrutura dos meios hipertextuais é análoga aos modos em que aprendemos – de forma dinâmica e interativa, por meio de associações e exploração-, e pode facilitá-los”. (Bush, 1945)

Para maiores informações, entre em contato com o suporte de desenvolvimento de monografia – Monografia AD


Abril 7, 2008 - Publicado por educacaomonografia | Uncategorized | , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Sem comentários ainda

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