RISCO E CONTEMPORANEIDADE – tema para estudo
 Se por algo se caracterizaram as sociedades pós-industriais é, sem dúvida, por terem criado condições de vida tais que os grandes riscos se fizeram algo cotidiano.
Convivemos com eles de tal maneira que os interiorizamos e aceitamos como uma parte a mais da realidade cotidiana.
Não obstante, alguns destes riscos são assumidos voluntariamente e sem conflitos aparentes, enquanto muitos outros se vêem envolvidos em graves polêmicas e protestos.
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O curioso do assunto é que são precisamente aquelas situações que mais freqüentemente produzem danos as mais facilmente assumidas pela sociedade. Os riscos da vida diária (o fumo, os acidentes de circulação, os crimes…) são aceitos como “normais” apesar de que o número de mortes que produzem são muito maiores do que as grandes catástrofes, objeto habitual de contestação e de protesto social; conquanto é verdadeiro que são estes últimos sobre os quais menos controle pode exercer o indivÃduo.
Do mesmo modo, as diferentes formas de enfrentar os riscos aos quais continuamente nos vemos expostos são tão diversas como diferentes os indivÃduos uns dos outros. Portanto, o que para alguns é tolerável, para outros se converte em totalmente inadmissÃvel.
Paralelamente, a gestão de tais riscos se estabelece através de uma dupla atuação; por um lado, a ação individual de cada um, e pelo outro, a administração de tais potencialidades por parte dos poderes públicos (governos, empresas, organizações, etc.)
É nesta dupla vertente, com freqüência contraditória, onde os riscos cotidianos são objeto de debate. Por exemplo, a gestão (individual e coletiva) dos riscos derivados da exposição à fumaça do cigarro se torna extremamente complicada em função da multiplicidade de interesses que atuam sobre o tema.
Não obstante, na sociedade atual não somente existe uma globalização dos riscos individuais (na prática totalidade dos paÃses industrializados aparecem numa medida ou outra os riscos antes mencionados) senão que os grandes riscos atuam potencialmente em todo mundo, superando as fronteiras criadas pelo homem. Está a sociedade atual tão integrada que o que afeta a algumas coletividades repercutirá necessariamente no resto, tanto direta como indiretamente.
Devido, portanto, à presença constante do risco nas sociedades modernas e ao imediatismo de suas conseqüências se faz necessário um esclarecimento do que significa hoje por hoje o conceito de “sociedade do risco”, expressão unida necessariamente a outros conceitos tão estendidos como o de “sociedade da informação” ou “globalização”.
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Precisamente o objetivo deste artigo não é outro que nos acercar à noção que existe do risco nestes anos iniciais do século XXI, caracterizado, até o momento, por uma interconexão global nunca antes conhecida.
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